
É difícil falar de alguém quando a gente está apaixonada, né? Parece que não conseguimos enxergar que todo mundo tem seus defeitos, mas podemos ficar horas listando suas qualidades e falando tudo isso com um sorriso bobo e os olhos brilhando.
Por isso, fiquei pensando se deveria ou não dar minha opinião sobre”Cinquenta Tons de Cinza”. Estou rendida, completamente apaixonada por esses livros. Antes que me achem uma taradona, logo aviso: esse livro não é só sobre sexo.
Com certeza, o fato de os livros terem páginas e mais páginas de sexo fez com que ele vendesse milhões de exemplares, mas engana-se quem pensa que ele fica restrito a isso. A grande sacada da autora foi costurar esse romance com luxúria, mas acima de tudo, em prender nossa atenção com um romance arrebatador, cheio de ação!
No começo, você pode até ficar com tesão lendo como um homem tão atraente, poderoso, seguro de si e que faz de tudo pra comer a mocinha virgem chega às vias de fato, principalmente por ele ser meio metódico e adorar um BDSM. Porém, acredite: se você começar a ler, logo nem vai ligar muito pra isso. Afinal, sejamos sinceros, sexo é uma coisa que faz parte do cotidiano saudável, assim como ir a um restaurante ou ao cinema, fazer compras ou até mesmo tomar banho. Não é isso que o livro me passa…
Ele me passa um romance meio conto de fadas, a mocinha desengonçada, que nunca se apaixonou por homem algum, de repente se apaixona por um ricaço que parece ser muita areia pro caminhãozinho dela. Mesmo assim, ela não consegue resistir à atração que surge entre eles. O problema (ah, sempre os problemas!) é que por mais perfeito que ele possa parecer, ele tem sérios distúrbios psicológicos, fruto de traumas na infância. É isso o que move a história, essa vontade da mocinha e nossa de descobrir o que esse homem esconde de seu passado, a bagagem que ele traz em suas costas. Será que o amor pode curar tudo?
O fato de o cara querer que a mocinha seja sua submissa, pra que ele possa chicoteá-la em uma sala cheia de apetrechos é só um pano de fundo pra tudo isso. Quem espera ler páginas e mais páginas de sexo fetichista vai se decepcionar.
Assim como Anastacia Steele, a cada acontecimento, a cada revelação, vamos nos apaixonando mais e mais por Christian Grey, esse é o segredo! Os cuecas de plantão ficam tentando desvendar por que as mulheres ficam tão seduzidas pelo livro e fazem teorias de que é por causa do sexo, do mistério, do conto de fadas contemporâneo. Nada disso.
O que faz a gente amar Christian com todas as nossas forças? Pra mim, amor não tem explicação, simplesmente acontece! Um homem bem sucedido, que é capaz de cuidar, de dar atenção, de endeusar mas também de repreender, de precisar de carinho e demonstrar suas fragilidades, que não tolera mentiras e nem mente, que é fiel… Porra, quem não quer um homem assim? Mas o melhor é saber que Christian e Ana podem ser qualquer um de nós, porque são muito humanos, cheios de defeitos e de hormônios. Isso também é uma das qualidades do livro.
Cada capítulo traz um gancho pro próximo, como em uma boa novela. Por isso, a gente fica preso ao livro, querendo sempre descobrir logo o que vem a seguir, qual será a próxima emoção ou a próxima pista para desvendar o passado desse homem delicioso.
Fora a trilha sonora. Gente, o que é um livro que tem trilha sonora? E eclética: vai de Beyonce a Frank Sinatra, ainda com alguma música erudita. Espetacular!
Apesar de terem sido vendidos os direitos dos livros para que fossem adaptados para o cinema, tenho certeza de que nenhum filme conseguiria sintetizar cada livro de forma que a experiência fosse completa. Não pelas cenas eróticas, mas pelos detalhes que constroem a história, os pensamentos da protagonista, enfim. Recomendo o livro totalmente.
Bem, sei que falei muito sobre o livro, mas não poderia deixar de comentar minha obsessão por essa trilogia. Se estava com preguiça de comer a lê-lo pensando que seria só sexo, sexo e uns tapinhas pra apimentar, agora você já sabe que não é só isso. E se você for homem, não tenha ciúme do livro. Qualquer episódio de Gabriela tinha tanto quanto ou até mais sexo do que “Cinquenta Tons”.